Coletivo realiza oficina para pessoas cegas e outros corpos interessados em multiplicar olhares sobre o corpo que dança

Coletivo realiza oficina para pessoas cegas e outros corpos interessados em multiplicar olhares sobre o corpo que dança

06 agosto 2015,   Categories: ,   By ,   0 Comments,  

foto_leve_de Silvia Goes foto_leve_foto de Silvia GoesO pernambucano Coletivo Lugar Comum acaba de abrir inscrições para oficina Multiplicando olhares sobre o corpo que dança. As aulas terão início no dia 19 de agosto e acontecerão sempre às quartas-feiras, durante quatro meses. Para se inscrever basta enviar breve currículo e carta de intenção (com 10 linhas no máximo) destacando também se a disponibilidade de horário do aluno ou aluna é nas quartas pela manhã ou à tarde ou nos dois turnos. O endereço é multiplicando.olhares@gmail.com. As inscrições estarão abertas até o dia 12 de agosto e os alunos selecionados receberão retorno por e-mail até o dia 16 de agosto. São ao todo 20 vagas, sendo dez vagas para pessoas cegas. A oficina é voltada para alunos iniciantes, a partir dos 16 anos, interessados em compartilhar novas experiências e novos olhares sobre o corpo e o movimento. As aulas e a inscrição são gratuitas e acontecerão na sede do Coletivo Lugar Comum, na Rua Capitão Lima, 210, no bairro de Santo Amaro, Recife/PE.

 

A oficina de iniciação em dança Multiplicando olhares sobre o corpo que dança vai abordar aspectos teóricos sobre o movimento, anatomia e diferentes técnicas presentes no universo e na história da dança através da leitura de textos e discussões, além de exercícios práticos desenvolvidos a partir da experiência corporal das artistas Maria Agrelli, Renata Muniz e Silvia Góes, do Coletivo Lugar Comum. Ao todo são quatro meses de aulas práticas e teóricas de iniciação em dança dedicadas ao desenvolvimento de um trabalho de conscientização pelo movimento em que a sensibilização aconteça também pela troca em sala de aula entre pessoas cegas e outras pessoas sem deficiência aparente interessadas na experiência de compartilhar descobertas corporais a partir deste encontro.

 

O projeto, incentivado pelo FUNCULTURA, engloba também a realização de eventos artísticos na sede do Coletivo Lugar Comum, somados a debates e discussões focados prioritariamente no público cego, cuja voz será o norte para novas propostas que possam transformar a relação de sua presença nos espetáculos de dança com acessibilidade oferecidos em Pernambuco. A cada mês, grupos e artistas que já apresentaram espetáculos com áudio-descrição ao longo de sua trajetória serão convidados para um evento artístico, com apresentações seguidas de debates. A proposta é que o encontro se consolide como um espaço aberto para troca de saberes entre profissionais das artes cênicas que têm interesse em investir em acessibilidade, profissionais da área de acessibilidade propriamente dita e o público cego da cidade, criando um território onde dar e receber se misturem, proporcionando assim um melhor conhecimento das necessidades e desejos particulares e compartilhados no sentido de impulsionar a presença das pessoas cegas nos espetáculos e teatros locais.

 

Além de aproximar o público cego da vivência corporal em dança trazendo elementos de técnicas diversificadas, o projeto Multiplicando olhares sobre o corpo que dança, através das discussões e de um Blog que será alimentado ao longo da trajetória, vai traçar um panorama sobre facilidades e dificuldades, acertos e erros na busca pela garantia da acessibilidade aos espetáculos como direito do público cego e prioridade de investimento dos grupos e artistas de Pernambuco. Tudo isso poderá servir de instrumento para qualquer artista, produtor, grupo ou entidade pública ou privada que pretenda ampliar a presença do público cego às obras criadas e apresentadas no Estado, fazendo com que o desejo da troca se realize e os equipamentos de áudio-descrição nos espetáculos sejam mais do que recursos silenciosos esperando ansiosamente por um público que não chegou ainda.

 

FOTOS: espetáculo de dança LEVE, do Coletivo Lugar Comum, o primeiro de dança em Pernambuco que realizou uma temporada inteira com acessibilidade. Fotografias de Silvia Góes.


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